.a.vida.que.não.existe.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012 às 13:33
' ...e se corria a oitenta quilômetros por hora em direção às luzes que cresciam pouco a pouco, sem que já se soubesse bem para que tanta pressa, porque essa correria na noite entre automóveis desconhecidos onde ninguém sabia nada sobre os outros, onde todos olhavam para a frente, exclusivamente para frente. '
[.cortázar.]

Nunca era tão doce e simples como bolinhos de morango feitos às 4 da tarde, depois da novela. Enchia-se de livros e filmes, de bobagens, de conversas súbitas, de cheiro de batom, de fotos tiradas. Era tanta coisa, tanta mentira e tanto fato, tantos dias, tanto choro, tanta dor, tanta a cabeça a pesada. Não pensava. Não lia. Não havia imagem, dessa vez. Nem filme que pudesse usar. As palavras passavam perenes e longínquas. Não havia a quem pedir. Não havia o que relembrar. O futuro. Sempre o futuro importa. Não havia o que lamentar. Sua personalidade se resumia a nada. O seu lugar estava longe e escondido. Em algum mundo imaginário. A vida dele quase não existia.

2 comentários:

  1. Ficamos despidos... sem auxílio... desprotegidos!
    Abraçados a nós... sós!

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  2. Sempre penso: o que será que existe, afinal?

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