.refraseando.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014 às 15:25
Eu não devia dizer a vocês, mas essa lua, mas esse vinho, botam a gente comovido como o diabo.

.frase.no.3.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014 às 10:38
Algumas vezes, umas folhas rasgadas é tudo o que eu quero escrever.

.fragmento.no.1.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014 às 18:35
Os calmantes aumentavam a cada dia enquanto dissolviam-se vagarosamente, vagarosamente até tudo estar bem. O desarrumado empilhava-se sobre as flores antigas do outono passado, sobre as fotografias e sobre as olheiras inchadas que insistiam em perdurar. As noites eram sempre quentes. O vento escasso do ventilador ventilava a sala e os dedos dos pés que permaneciam esticados mesmo antes de dormir. Ventilava também os fios de cabelos finos e maltratados, o coração apertado e a camisola de algodão que repousava calmamente (e era, talvez, a única coisa que repousava) no corpo mole e angustiado. Havia algo de doce naquela angústia e os comprimidos quase somavam-se ao açúcar da cozinha. Compre mais açúcar. Compre mais açúcar, ela dizia a si mesma. Compre e coma em colheradas como sua avó lhe permitia fazer. Coma, até afogar-se. Se o cansaço vinha, era temperado com o medo de não saber, de estar com ombros esgotados, de esperar pacientemente pela manhã que nunca nasce, com o desejo de caminhar pela grama fresca e macia que a espera depois do desespero.

.something.about.love.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013 às 05:01
It takes me just a moment.
to look. To stay. To breath. 
It takes all day 
and a year long. 
So much that I can't
even wait 

But I can see the wind
and its colors
while I feel
your eyes on me
So I can wait
To feel
the smooth
touch
of your hug
That takes just a moment.

.adeus.segunda-feira.cinzenta.

domingo, 3 de novembro de 2013 às 15:43
“O mar se levanta com tal desespero
Que eu penso que a terra não sente a cratera
Querendo lavar”
[.zé.ramalho.]


Penso em quão linda será a primavera porque agora apenas espero. Espero e vivo, incessantemente, à procura de algo que não está em mim, talvez esteja em ti. Talvez só esteja. Penso que hoje deverá chover, um pouco por causa da febre e um tanto porque sinto falta do cheiro de tempestade. A única coisa boa de tempestade é o cheiro. Ele se entranha pelas janelas e pelas paredes circula no ar abafado da sala. Abafa a TV e as luzes amarelas, abafa as paredes brancas da sala e o teu coração. O meu, já tão acostumado com a chuva que canta Segunda-feira Cinzenta sem notar. Hoje eu me dei conta. E assim, sem menos esperar, já decifrava o dedilhado - que eu pensava estar esquecido em algum lugar - cantava mentalmente, tom tom tom, e a voz grave do pai que cantava e embebia-me naquela angústia de adulto que eu ainda não conhecia. A angústia, por aquela época, era boa. Lembrava só tempestade. Terra molhada. Tempestade e água fresquinha molhando as árvores. Eu não sabia que com a chuva vinha tudo isso. Agora sei. Talvez seja por isso que eu não cante mais essa música. Refresca a alma, mas afoga o coração.
sábado, 26 de outubro de 2013 às 06:42
Enlouqueço-me de pensar no fim. Porque depois não sei o que virá. Porque não sei se a leve brisa que ilumina e se espalha pela janela do quarto continuará a existir depois do fim. Penso, de repente, que não importa. Não importa a luz nem os pedaços indecisos de horas que caem sobre mim sempre no meio da madrugada. Por serem infinitos e breves, sempre continuarão a existir. Independente de mim e do fim. Continuarei solícita a nada, esperando que o tempo vá, esperando que o mundo se conserte num terrível passe de mágica. Contenho-me a permanecer aqui, inerte, imóvel e clara, esperando, continuamente, o fim.

.frase.no.2.

terça-feira, 22 de outubro de 2013 às 18:31
Sufoco.




Pois se deixo transbordar, já não caibo mais em mim.
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